Esse blog contém somente poesias e contos eróticos, voltados ao público adulto.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Amigas Perfeitas

- Olá
- Boa noite
- Entre meu bem 
      As duas se cumprimentam, Camila, segue Rafaela e as duas  entram em casa. Encontra-se em fim de semana, depois de uma semana inteira de ansiedade. As duas amigas não se viam a um longo tempo e haviam programado este encontro afim de colocarem o papo em dia, e matarem a saudade da velha amizade.
- Camila meu bem, quer beber algo?
Rafaela, como boa amiga e anfitriã, pergunta para a inquieta Camila.
- Sim, de preferência alguma coisa com álcool, estou um pouco ansiosa.
Responde Camila com um sorriso acanhado no canto da boca.

      Elas sempre foram boas amigas, estudaram juntas o colegial e fizeram o mesmo curso superior, mesmo cada uma levando sua vida, nunca perderam-se completamente de vista, Rafaela, casou-se, com um amigo de faculdade assim que formou-se, mas o casamento não deu certo e em menos de um ano decidiu divorcia-se. Camila só teve relacionamentos furtivos, nunca nada sério de verdade, sempre levou uma vida meio desregrada quando o assunto era relacionar-se.
Vez e outra se encontram para irem a um barzinho, ou cinema, teatro, darem uma volta no parque e falarem das suas vidas. Mas há um tempo já não fazem isto. Uma vez porque tem trabalho, outra vez compromissos, outra vez algum problema na família.

Rafaela é das duas quem sempre se esforçou mais para ser presente, é a mais cabeça das duas, é ela quem liga nas datas importantes para a amiga, quem sempre tenta estar perto mesmo na ausência. Camila é do tipo que está sempre lá quando a amiga procura, mas não é de falar muito, nem de procurar Rafaela.

- Camila, porque você está ansiosa? Está calada de mais para meu gosto e para seu normal.
Pergunta Rafaela, ansiosa pela resposta.
- A Rafa, nem sei ao certo, mas hoje pela manhã quando você me ligou no escritório e me pegou de surpresa, eu fiquei assim. inquieta
explica-se Camila
- Está chateada porque liguei no seu trabalho Mila? Só liguei lá porque não consegui mais falar contigo no teu celular e você nunca está em casa, e eu já estava com muita saudades suas, você sabe que é minha melhor amiga, e que eu amo você de mais, mais que minhas irmãs de sangue..
- Não, não, chateada não;
Responde Camila apressadamente.
- Rafa eu também te amo de mais e sinto sua falta, só tenho andado com o tempo curto, você sabe, começo de carreira não fácil para ninguém, tenho andado numa correria intensa, tempo para nada daquilo que gosto.
- Mila, queria te falar um coisa..
Diz Rafaela de cabeça baixa
- Fala Rafa, não precisa de cerimonias comigo, não comigo, você sabe disto, ninguém te conhece tão bem quanto eu.
Diz Camila segurando a mão da amiga
- Camila, estou bem magoada com você, sei que você não tem me atendido por não querer, outro dia fui até seu apartamento, vi as luzes acesas, e ouvi você se mover pela casa, liguei no seu telefone o ouvi tocar, e você estava lá, mas não me atendeu. Porque esta fazendo isto?
Pergunta Rafaela já com olhos marejados, e voz embargada.
- Ai Rafa
É tudo que Camila consegue dizer, de primeiro momento, quase como um suspiro.
- Quero que saibas que não é nada com você, sabe, é que eu tenho andando estranha, e meio confusa, e só queria ficar longe um tempo, me manter um pouco afastada.
Tenta explicar-se Camila um pouco nervosa tropeçando nas palavras
- Afastar-se de mim? Justo de mim Camila, eu que sempre estive ao seu lado, que fui sua amiga, te compreendi, que por vezes fui sua cúmplice, sua confidente, eu que te amo tanto que te quero tanto bem..
Argumenta Rafaela já entre lagrimas e soluços, numa mistura de tristeza e raiva da amiga.
- Me perdoa Rafa, me perdoa por favor, você não entenderia meu bem, eu só...  a melhor eu ir embora, eu sabia que não deveria ter vindo aqui, sabia que isto acontecia, droga.
Diz Camila nervosa.
- Por favor não vai Camila, por favor, não vai agora, não sai daqui assim nevosa, não me deixa aqui assim.
Diz Rafaela abraçando com força a amiga.
- Mila, vamos conversar, prometo te entender, e se eu não entender prometo aceitar, você sabe que te amo, que você sempre foi minha melhor amiga.
Diz Rafaela
- Este é o problema
Esbraveja Camila
- Problema??! Como assim problema?!
Pergunta Rafaela no misto de duvida e exclamação

     Camila se aproxima de Rafaela, segura seu rosto e a beija com voracidade, Rafaela se assusta e tenta se desvencilhar das mãos da amiga, tenta, mas logo desiste e se rende ao beijo que nunca, nem suas mentes fora permitido existir.

- Eu te amo Rafa, este é o problema, eu amo você, não só como amiga, tão pouco quero ser como uma irmã sua, eu amo você, desejo você, amo quando você solta os cabelos, amo o seu cheiro, e quando você fica brava comigo, amo muito você, e de uns dias para cá esta situação estava ficando insuportável, era horrível andar com você, ir ao cinema, ficar tão próxima e não poder te beijar, não poder te tocar e dizer o que sinto.
Diz Camila num impulso só.
- Mila, eu não sabia, juro que nunca imaginei. Perdoe-me por não ter notado antes, eu sinto muito.
Diz Rafaela, visivelmente perturbada pelo choque.
- Eu sabia que isto aconteceria, por isto tentei me afastar, tive medo de perder você de vez, eu sou uma tonta por ter de confessado o que sinto.
Diz Camila já em lagrimas e muito nervosa.
- Não chore meu bem, tonta fui eu por não ter notado.
Fala Rafaela enquanto aproxima-se e abraça com doçura a amiga.
- Vamos, pare de chorar. Olhe para mim, não tem de ficar assim, lembra quem sou? Sou sua Rafa, sua confidente, sua cúmplice, sua amiga.

     Rafaela seca as lagrimas da amiga, beija sua testa, beija seus olhos, beija seu nariz, e em fim sua boca, desta vez não um beijo assustado, ou nervoso..um beijo adocicado, de olhos fechados e corpos bem colados.
- Rafa!!.
Exclama Camila
- Shiiiuu... Não fala nada,
Diz Rafaela sussurradamente no ouvido de Camila.

     As duas deixam-se serem embaladas pelo momento, e pelo êxtase que aquele beijo lhes proporcionara. Despojam-se no sofá em meio a beijos e abraços calorosos.

- Rafa, você tem certeza? Pergunta Camila
- Shiiiiw.. Já disse para não falar nada amor. Responde Rafaela

     Rafaela deita Camila no sofá cola seu corpo no dela e beija lentamente seus lábios em quanto suas mãos moldam os seios de sua amiga. As duas parecem duas crianças, eufóricas, elas por muito tempo imaginaram como seria este momento, sim. As duas, Rafaela também ansiava por este momento tanto quando Camila, as duas só tem formas diferentes de lidarem com o que sentem uma pela outra.

     Rafaela levanta-se pega amiga pela mão e as duas vão até o quarto de Rafaela. Camila para na porta e pede que Rafa tire sua roupa alí antes que ambas entrem no quarto.

- Aqui!? Pergunta Rafaela um pouco assustada, mas bem excitada.
Sim aqui, diz Camila com um olhar bem sacana e um risinho doce.

     Camila entrou no quarto, sentou-se na cama e ficou a olhar Rafaela ainda parda na porta do quarto, enquanto Rafaela tira suas roupas, lentamente e completamente maliciosa. Tira sua blusa lentamente, ela não tinha o “costume” de usar nada por baixo da blusa,. depois a calça, fica ainda com a calcinha. E diz estar ainda canhada para tira-la. Camila por sua vez, completamente embasbacada com a visão daquilo que ela tanto desejou, tanto almejou ter. Levanta-se beija Rafaela, pega sua mãe a conduz até a cama, sentando-se e mantendo Rafaela de pé a sua frente só de calcinha.

     Camila beija a barriga de Rafaela lentamente, deliciando-se com o toque de seu lábios na pele de sua amada e desejada amiga.
Rafaela arrepia-se com as caricias, ficando visivelmente excitada, quando molha a única peça de roupa ainda sobre seu corpo. Camila, respira fundo tentando absorver o cheiro de Rafaela. Neste momento as duas são puro instinto.
Rafaela treme, Camila segura sua amiga pela cintura com as duas mãos e a puxa para bem junto de seu rosto, passando seu rosto suavemente pela ventre de sua desejada amiga, baixa as mãos lentamente, sem afasta-las um milimetro que seja da pele de Rafaela, para na calcinha. Que ainda persiste alí. Coloca suas mãos por dentro do cós, e vai abaixando-a lentamente, revelando naquele momento, seu desejo.

- Rafa, abre as pernas.
Numa voz rouca, pede Camila
     Sem dizer nada, Rafaela obedece, apensas gemidos saem de sua boca.

     Camila, toca a intimidade da amiga delicadamente, apenas as pontas dos dedos de Camila percorrem o sexo já bem molhado de Rafaela. Camila ameaça  entrar, mas como quem faz pirraça, recolhe os dedos e os leva a boca, o que deixa Rafaela louca de tesão.

- Rafa, seu gosto, é uma delicia. Diz Camila com os dedos que ainda pouco passeavam pelo meu que saia de Rafaela agora em seus lábios.
- Camila você é cruel, não brinques assim comigo, preciso ser sua com urgência.
Diz Rafaela quase em desespero.
- Quer ser minha? Pergunta Camila
- Sim, eu preciso ser sua. Responde Rafaela

     Camila, coloca dois dedos na boca, umedecendo-os com sua saliva, e e com delicadeza os leva até o sexo de Rafaela que pulsa, por pressentir o que está por vi. Camila adentra lentamente no sexo da amiga os dedos umedecidos por si, debaixo para cima, fazendo com que Rafaela, em um impulso fique em ponta de pés. Quanto mais Camila mete, mais Rafa se ergue do chão, numa doce e quente brincadeira de gato e rato.
     Camila tira os dedos de dentro de Rafaela e os leva até os seios da amiga, espalhando delicadamente seu suco, sobre a pele de Rafaela.

- Rafa, deite-se.
Diz Camila tomando completamente as rédeas da situação.

    Rafaela deita-se e prontamente, Camila fica de joelhos no meio das pernas da amiga, tirando neste momento sua blusa, revelando mamilos completamente eriçados de tesão.

Mila, nunca tinha notado como são lindos seus seios. Fala Rafaela completamente embriagada pela visão dos lindos seios de mamilos rijos de Camila.

     Camila sorve, morde, lambe, os seios de Rafaela, que antes por ela mesma foram devidamente molhados com o mel de Rafaela. Camila  meio sem coordenação tira sua calça, e calcinha, fiando completamente nua, sobre o corpo em ebulição de Rafaela. Prontamente ela volta  a sugar os seios da amiga, e neste momento,  encaixa sua perna em meio as pernas de Rafaela, tocando sua coxa no sexo pulsante de Rafaela que estremesse ao toque de Camila.
     Um som de quem sorve a saliva, sai dos lábios de Rafaela, ela está completamente embriagada de desejo, Camila beija sua boca, morde seus lábios, pressionando ainda mais, sua perna contra o sexo da amiga. Gemidos começam a ecoar pelo quarto, o cheiro de prazer cria um nuvem de desejo que as encobre, e neste momento elas se revelam, duas fêmeas em cio total.

- Camila.. quero você dento de mim
Diz Rafaela quase que em sussurrar
- Para que tanta pressa amor, estamos só começando.
Diz Camila, com a voz entumecida de desejo.

      Rafaela libera um  gemido de decepção e excitação. Camila desce lentamente pelo corpo de Rafa, beijando-lhe os seios, a barriga, arfando ar quente na pele da amiga, até chegar no sexo da amiga. O admira por instantes, como quem  admira uma obra de arte., o beija carinhosamente, como quem beija um amor, o morde, com força moderada, como quem morde um brinquedo, o lambe, como que prova sua comida favorita, introduz sua língua lentamente preenchendo toda a fenda molhada e rosada de Rafaela. Neste momento Rafa encolhe-se inteira, num reflexo da contração do seu corpo inundando por uma onda quente de prazer. Camila suga, engole, suga, como quem come sua fruta predileta, lambuzando-se como criança, quando come com as mãos, seu doce mais gostoso. Sem conter-se mais, Rafaela, rebola, dança com maestria de quem nasceu para fazer aquilo na boca de sua amada amiga.

- Mila, mete por favor?!
Pede Rafa, se contorcendo inteira, entre mordidas no lábio e suspiros profundos.

     Camila atende prontamente, e sem cerimonias, mete dois dedos dentro de Rafaela, arrancado-lhe um gemido, quase um grito, rouco de tesão.

- Assim meu amor!
Rafaela entre resfolegassões e palavras

      Camila, faz um vai e vem cadenciado e demorando, dentro de Rafaela, enquanto suga-lhe o sexo pulsante. Quando Camila aumenta o ritmo das estocadas, Rafaela não suporta mais e desmancha-se de prazer na boca de Mila.
      Camila, toma, todo seu premio, e sobe pelo corpo da amiga, roçando seu corpo no de Rafaela, até chegar a sua boca, e dar-lhe um beijo molhado, e compartilharem juntas, boca a boca o sabor do cio de Rafaela.

      Já exausta, Camila pende seu corpo para o lado e deita-se na cama, corpo colado ao de Rafaela, e fica a brincar com as pontas dos dedos nos mamilos rosados de Rafaela.
      Rafaela, levanta-se da a volta na cama, finge procurar algo na gaveta do criado ao lado de Camila, vira-se apara a amiga deita-se ao lado dela, e furtivamente coloca sua mão no sexo de Camila, que a olha surpresa e ri. Rafaela o aperta forte, arrancando o sonoro gemido de dor e tesão de Camila. Rafaela, no impulso de quem acaba de descobrir um prazer novo, mete, sem cerimonias, os dedos no sexo de Camila, bem depressa, com a urgência que sua curiosidade e malicia pedem.

       Ela vai preenchendo, e mexendo dentro de Camila, quando olha no rosto de Camila, ela está d e olhos fechados mordendo só lábios numa expressão de entrega incondicional, que fascina Rafaela. Com a movimentação, Camila molha bestante os dedos de Rafa o que a instiga mais ainda a brincar com o sexo da amiga.
       Rafaela então sobe no corpo de Camila, e encaixa novamente seus dedos dentro do sexo dela, e começa a usar o peso do seu corpo subindo e descendo para meter os dedo em Camila num vai e vem delicioso. Em cada subida, Camila geme alto, e a cada descida suspira, trazendo ao quarto uma melodia de gemidos esplendorosa. Em pouco tempo de um vai e vem cadenciado, Camila libera seu gozo, e por sua vez Rafaela também deleita-se no prazer de proporcionar a  sua amada Mila este deleite. E numa orgia de cheiros e sons Rafaela beija Camila, e diz em seu ouvido.

- Mila eu também amo muito você.

       Camila então beija Rafaela e tudo indica que a noite está só começando. Elas ainda aprenderão,  muitas coisas juntas. E as duas amigas, cúmplices, e companheiras, agora também são amantes

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Vertigens de um recomeço

Difícil transformar em um conto os acontecimentos que vivi. O fim e o novo início, a morte emocional junto de uma pessoa e a ressurreição através de uma mulher inacreditável, revelando-me, por fim, não apenas o verdadeiro significado do amor, mas como esse interage definitivamente com o prazer. Apenas sob o manto da metáfora foi possível sintetizar tantos acontecimentos em uma única passagem, tão angustiante quanto renovadora.

Dizem que se o sol morresse agora, viveríamos ainda em sua presença por mais alguns instantes, suficientes para que nosso padecer ocorresse sob luz. Nágila não era mais meu sol, talvez nunca tivesse sido como queriam me fazer acreditar. Havia se apagado. Mas o sofrimento, esse era meu, por dias, semanas. Quem sabe, eterno.

“Esquece essa mulher, cara, ela nunca foi sua”. Por que não? “Porque ela nunca teve o mesmo coração que você. Ela te enganou, te trocou por outro, te abandonou. Enxerga o mundo, Giovane! As pessoas traem e assim é a vida".

Alguns diziam que minha ingenuidade me impedia de entender a palavra ‘traição’. Mas porque eu deveria entendê-la? Eu vivia bem sem ela. Eu só não vivia bem sem Nágila. Não me adiantavam as ocas teorias dos poetas, psicanalistas, amigos, doutores, mestres em dores da alma, repulsas, vertigens, assuntos que só o verdadeiro coração dilacerado domina. “Ela te traía com um cara”, “essa menina nunca foi o que você imaginava”. As vozes em alarme zuniam em minha cabeça como açoites, castigo que eu recebia sem saber o porquê. Nunca quis acreditar em indícios, em palavras racionais, sempre aceitei melhor a inocência das emoções. Por isso talvez só o que restasse pra mim fosse a possibilidade de um recomeço, o mesmo que Nágila já experimentava. Eu também tinha esse direito.

Os tristes ipês me escoltavam por aquele caminho de terra vermelho-sangue até à Cachoeira da Vertigem, local de nome sugestivo, pertinente aos espíritos aflitos. O canto dos pássaros soava cinza com seus réquiens indiferentes à infelicidade humana. Recomeço. As cigarras e seus silvos tão fortes quanto breves explicavam esse verbo usado por Nágila. Ela precisou recomeçar. “Quero uma vida diferente agora, não aqui no campo, nesse lugarejo”. “Ela está te trocando por um sujeito da cidade, todos sabem”. “Eu te amo, Giovane, mas quero conhecer outros mundos”. “Só ficou contigo enquanto isso era útil, enquanto você pagava seus estudos com o dinheiro suado do trabalho na fazenda”. “Vou para a cidade, vou fazer um curso, passear pela praia”. “Ela tem um caso por lá”. “Meu coração é seu, você sabe”. “Nunca mais vai voltar”. “É só um recomeço”. “É o fim”. Explicações frágeis brotavam de todas as partes como num embate por vitórias fracassadas, sem sentido, sem uma razão que curasse minha ferida. Se meus amigos enxergavam o mal, eu os compreendia, queriam meu bem. Se Nágila mentia, eu estava ali para ouvir, tolerar, mesmo que todos esses truques só servissem para eliminar o obstáculo final para o seu reinício, eu. Fui excluído de sua vida para que suas ambições urbanas aflorassem, crescessem da forma como ela queria, sem cheiro de mato, sem céu de estrelas, sem água da pedra, sem meu sorriso por vê-la. Muito provavelmente amar incondicionalmente fosse isso mesmo, permitir ao invés de questionar, libertar antes de exigir, recomeçar para não entristecer.

O barulho da cachoeira já refrescava meus pensamentos. Perto de um dos cantos do lago observei minha própria imagem na superfície trêmula e vi um homem compreensivo com sua tormenta. Dei um sorriso, coisa que não fazia há algum tempo. Com as mãos banhei meu rosto e procurei admirar a grandiosa queda d’água. Impressionante como a Vertigem estava mais densa, mais próxima de um cenário natural e não de um sonho. Ela possuía a peculiaridade de ser sempre interpretada pelo capricho crítico de seu admirador. Era o colírio de turistas e espaço lúgubre para os mal intencionados. Casais apaixonados a tinham como um paraíso terrestre, enquanto que para solitários era o ombro companheiro.

Não era raro amantes eufóricos subirem até o cume da rocha principal para declamarem o amor por suas mulheres, atitude essa potencialmente valorizada pelo perigo daquela área, pois ali um pequeno deslize poderia ser fatal. Imerso em meus devaneios eu acreditava ter como únicos confidentes as folhas das palmeiras e a brisa serena. Foi quando notei na parte direita de uma das pedras, um vulto feminino. Agucei o olhar e percebi que era Nínive, uma moça que, assim como eu, também morava e trabalhava na região. Nunca a reparara bem porque até então meus olhos só se serviam de Nágila, mas sabia que ela era noiva de um homem das redondezas. Procurei decifrar o que ela fazia sozinha ali, já que até para experientes guias aquela parte da cachoeira era muito traiçoeira. Acenei com as mãos. Ela viu, mas não respondeu. Seu rosto denunciava uma chaga na alma, uma tristeza semelhante a que eu despejara no lago minutos atrás. Um pânico atroz dominou minhas ações quando vislumbrei em seu semblante uma intenção de autodestruição.

Corri por entre a mata lateral, escalando aos pulos e tropeços grandespedras escorregadias, alheias ao desespero da situação. Gritei para que ficasse parada até minha chegada, ouvindo como resposta apenas o eco de minhas próprias súplicas. Ao chegar perto de onde estava Nínive pude me certificar do risco real que sua vida corria. Ela estava descalça na parte onde a incidência de lodo era maior, sem nenhum apoio para as mãos. Sua expressão carregada de mágoa evidenciava claro desejo de morte. A primeira coisa que fiz foi pedir para que ela não se mexesse. Chorando ela disse em lamúria para que eu não me intrometesse em sua vontade. Fiquei agachado o mais perto possível de onde estava, num ângulo inferior, amparado pelo galho de uma árvore, com o braço estendido. A água fria fluía forte por entre seus pés.

- Nínive, olha, não conheço sua vida nem sei o que te trouxe até aqui, mas se você fizer isso a vitória será dos seus problemas, não sua.
Sua cabeça não levantou e seus olhos permaneceram namorando o precipício.
- Eu não quero vitória, Giovane. Eu só queria que respeitassem meus sentimentos. Mas não adianta... Quem é você para entender alguém abandonado pelo amor?
- Talvez alguém que também tenha sido.

A moça ergueu a cabeça e finalmente nossos olhares se cruzaram. Uma fina chuva começou a cair sobre a Cachoeira da Vertigem. O risco de queda aumentava a cada segundo. Nínive comentou sobre o motivo da decisão derradeira.

- Meu noivo me largou para ficar com minha irmã. Tiveram um relacionamento durante meses sem que eu soubesse.
- A mulher que eu amava foi embora para a cidade. Disse que tinha várias ambições, mas eu não estava incluído em nenhuma delas. Meus amigos contam que ela me trocou por outro.
- O apoio de meus amigos não serviu para juntar meus pedaços. O Arnaldo e a Cíntia foram embora e me deixaram aqui, morta.
- Você não está morta. Oportunidades aparecem a cada momento para que possamos viver o que ainda não vivemos – disse mantendo o braço esticado para que ela o segurasse.

Nínive relutava em receber a ajuda. As gotas da chuva se confundiam com as lágrimas em seu rosto. Um de seus pés derrapou.

- Segure minha mão. Vamos conversar um pouco aqui. Só estou pedindo um minuto! Nem é tanto tempo assim.

Finalmente Nínive cedeu e segurou meu braço. No momento em que sua perna buscava apoio na parte seca, escorregou. Segurei-a com força enquanto ouvia seus gritos cortando o ar. Com alguma dificuldade, abracei seu dorso e a puxei com firmeza para, então, cairmos entre as árvores, salvos. Olhei com muito afeto para seu rosto afogado em medo e desilusão. Seus cabelos molhados deixavam expostos apenas parte de sua face de traços angulosos, o suficiente para perceber o quanto era bela.

- Por que as pessoas fazem isso com quem as ama? – indagou Nínive querendo uma resposta impossível.
- Não acredito que seja por ódio. Pode ser egoísmo, mas quem não é egoísta? Eu queria Nágila, ela queria ouras coisas. Talvez um dia ela também queira algo que não possa ter. Acho sinceramente que na vida podemos ter tudo o que almejamos, só que existem coisas que não deveríamos almejar.
- Não! As pessoas não se preocupam com o sentimento de quem as ama de verdade. Mas e daí, né? O que vale é seguir seu caminho, independente do sofrimento que se vai causar em quem se doou por um relacionamento, em quem foi seu amante. ‘Seja feliz’, esse é o lema. Engraçado como eu queria que todos fossem felizes: meu noivo, minha irmã, meus amigos. Mas e a minha felicidade? Sei lá onde ela está. Deveria estar ali embaixo agora, junto das pedras, mas nem isso você deixou.

O pranto de Nínive era tão sincero quanto minha vontade em eliminá-lo. Involuntariamente a moça apoiou sua cabeça em meu ombro, soluçando. Afaguei sua cabeça com carinho verdadeiro, procurando aliviar sua dor. Suas mãos juntas escondiam a face de uma vergonha que não era dela.

- Sabe, Nínive, eu amava tanto minha namorada que agora fico feliz em saber que ela foi embora.
- Como assim?
- Se ela está realizada com outra pessoa na cidade, por que eu deveria ficar triste? Acho que amar de verdade é querer ver o outro sempre feliz, estando ou não do nosso lado.
Os olhos de Nínive fixaram-se nos meus. O sentimento de fim que havia neles evaporava, cedendo espaço a interesses vívidos. Seu equilíbrio voltava ao normal fazendo com que percebesse a insanidade de seu ato no alto da Vertigem.
- Nem sei o que fazer para poder me desculpar pelo que fiz você passar – disse ela olhando o ferimento em minha perna ocasionado por uma pedra.
- Se você sorrir já vai bastar.

Um tímido sorriso emergiu sincero em seu rosto, convidando sua beleza a sair do anonimato. Seus olhos castanhos brilhavam como se dentro orbitassem pérolas. Pude sentir sua respiração quente muito próxima de mim. Como ímãs, nossos rostos foram se aproximando até que nossos lábios se tocaram. Um sabor fresco, de vida intensa, aportou em minha boca. Havia tempo que não sentia o gosto de uma mulher, sendo que nos últimos anos a única boca que provara havia sido a de Nágila. Tudo, desde os beijos aos abraços cobertos de luxúria, foi se tornando mais ardente, gostoso, enquanto nos revirávamos sob o agora lascivo ruído da queda das águas.

Impressionava como a vida poderia nos surpreender com situações tão antagônicas, destino que, de um terror profundo, se transformava em vibração positiva, desejo, plenitude. Sua língua seguia ampliando seus domínios, conquistando agora meu pescoço com uma vontade inequívoca. Num gesto brusco e surpreendente terminou de rasgar minha camisa. A blusa de Nínive, completamente encharcada, mais revelava do que escondia os seus rijos e sensuais seios, sedentos pelo conforto de minha boca. Toda sua extensão de pele se tornava um vertiginoso caminho que minhas hábeis mãos percorriam sem constrangimentos, como as águas daquela cachoeira que desciam íntimas pelos sulcos das rochas. Minha amante descia por meu corpo, beijando meu peito, deslizando sua língua por meu abdome, mostrando uma vontade incontestável, delírio próprio de quem renasce para o prazer. Ao abaixar minha bermuda, segurou o pau com uma inocência mascarada pelo desejo selvagem de chupá-lo. Meu corpo foi inundado por uma sensação maravilhosa. Fazia com suave cadência, liberando sua língua com precisão para que nenhuma parte da glande ficasse sem sua saliva. Logo tudo sumia harmoniosamente dentro de sua boca, causando-me mais que vertigens, aquilo me fazia transcender. Numa comparação instintiva ficava nítido a enorme diferença entre a densa performance de Nínive e a agora perceptível displicência de Nágila. O ritmo, o manuseio, os olhos fechados destilando malícia, esse era o estilo campestre de duvidosa ingenuidade de Nínive que, com sua sublime formosura, gerava uma excitação explosiva dentro de mim. Segurei seus cabelos, colocando-os de lado para que melhor visualizasse aqueles lábios mamando com rara entrega a cabeça arroxeada, ministrando verdadeira aula de sexo oral. Como Arnaldo poderia abandonar uma mulher como aquela?

Abracei-a e a trouxe para baixo de mim, encostando suas costas em um aglomerado de plantas e raízes afofadas pela umidade da chuva. Sorvi cada um de seus seios, dando particular atenção aos mamilos. Sua cintura delicada, o umbigo formoso, os pelinhos claros que desciam indicando o caminho a ser seguido, tudo naquele corpo parecia esculpido e direcionado para meu tesão. Os fios ruivos daquela bucetinha e seu aroma convidativo se tornaram meu vício, pois quanto mais a sugava menos minha vontade era saciada. A penetrava com minha língua procurando o mais fundo paladar de minha amante, massageando com os dedos a superfície úmida e macia. Ouvia Nínive respondendo com voz baixa que me queria, concentrada, segurando minha cabeça para que dali eu não saísse, sem notar que esse também era o meu interesse.

Uma conexão de sabor indescritível conquistou nossas almas. Eu deslizava visceralmente para dentro de minha amante, saboreando cada espasmo sentido, cada limite conquistado, cada gemido ouvido. Ao tempo em que nos fundíamos, a chuva triste abandonava a cachoeira, dando lugar a um sol discreto, cujos raios luminosos faziam brilhar ainda mais o delicioso colo de minha ninfa. Nágila, a chuva e as lágrimas já eram passado, lembranças remotas, tão esquecíveis quanto cicatrizes antigas. Real era Nínive, seu corpo, sua boca e nosso prazer. Envolvido por suas quentes paredes vaginais, que tracionavam, puxando, esfolando, liberando e recomeçando, eu percebia que o tempo agora era nosso. Instintivamente intensificava os movimentos, pele com pele, suor e lágrimas, que agora eram de alegria e gozo, fluídos necessários em meio aos ecos que vinham das pedras e reencontravam seus emissores. Entrava e saía com vontade rasgada, irrepreensível, como que se daquilo minha vida dependesse naquele momento. O prazer veio quase simultâneo, vigoroso, devastador. Nínive urrava convulsionada por um orgasmo liberto das profundezas. Permanecemos deitados sem nada falar, até porque tudo já havia sido dito. Pássaros escondidos entre as palmeiras cantavam o renascimento de Nínive que, muito mais que mero prazer carnal, reencontrara uma alegria divina, impregnada de vida.
Naquela cachoeira imaginária, entendemos que o prazer do recomeço tinha a plena capacidade de sobrepujar a angústia de nossas perdas.


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